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HepFe*

Ferro Hepático por RM

Relaxometria T2* · R2* → CHF · Classificação ESGAR/SAR

Aquisição

Campo magnético

Medidas dos ecos — ROI único e amplo no lobo hepático direito

# Tempo de eco (ms) Sinal da ROI Usar

Decaimento do sinal e ajuste monoexponencial

Laudo estruturado

Limiares de concentração hepática de ferro (ESGAR/SAR)

Conversão entre unidades: 1 mg de ferro por grama de peso seco corresponde a 17,9 µmol/g (massa atômica do ferro, 55,85 g/mol). O conteúdo hepático normal de ferro fica abaixo de 1,8 mg/g.

Método e equações
Técnica de aquisição

Sequência. Gradiente-eco multieco (ME-GRE), adquirida em apneia única. A diretriz ESGAR/SAR recomenda de seis a doze ecos; a literatura prática recomenda ao menos oito e idealmente doze.

Tempos de eco. Primeiro TE o mais curto possível, idealmente 1 ms ou menos, com espaçamento em torno de 1 ms. A 3 T os tempos de eco devem ser aproximadamente a metade dos usados em 1,5 T, já que o R2* é cerca do dobro e o sinal decai mais rápido.

Região de interesse. ROI única e ampla no lobo hepático direito, mantida longe de vasos calibrosos, estruturas biliares, lesões focais e das bordas do parênquima. A diretriz sugere uma ROI grande por segmento de Couinaud para reduzir a variabilidade; uma ROI única e generosa no lobo direito é o equivalente pragmático da rotina, já que o lobo direito é o menos afetado por artefato de suscetibilidade do gás intestinal e do ápice cardíaco.

Campo magnético. Na sobrecarga grave conhecida ou suspeita, prefira 1,5 T: a 3 T o sinal decai tão rápido que os ecos tardios afundam no ruído de fundo e o R2* deixa de ser mensurável muito antes.

Ressalvas importantes

A calibração deveria casar com o método de ajuste. A calibração de Wood foi derivada com modelo de offset e a de Garbowski com truncação dos ecos afundados no ruído. Misturar uma calibração com um método de ajuste diferente introduz viés. Este app ajusta por truncação — você exclui os ecos que já atingiram o ruído de fundo — o que se aproxima mais de Garbowski; Wood permanece como padrão por ser a mais reportada, mas a diferença entre as duas é exibida para nunca ficar escondida.

As calibrações não são intercambiáveis. O viés relatado entre grupos de calibração chega a 26%. No seguimento seriado do mesmo paciente, use sempre a mesma calibração e o mesmo campo magnético, sob pena de uma variação aparente ser puro método.

A sobrecarga grave quebra o método. Acima de aproximadamente 40 mg/g a 1,5 T, ou 26 mg/g a 3 T, a relaxometria R2* pode deixar de ser adequada: o sinal já decaiu até o ruído antes dos primeiros ecos aproveitáveis. A relaxometria R2 (FerriScan) tem faixa dinâmica maior nessa situação.

Fatores de confusão. Esteatose hepática, fibrose e edema afetam o decaimento do sinal. Aquisições com correção de fatores de confusão, que separam gordura e ferro, são preferíveis quando há esteatose presente ou suspeita.

O ajuste vale o que vale a ROI. Um ajuste monoexponencial único pressupõe região homogênea. Vasos, lesões ou a borda hepática dentro da ROI corrompem o decaimento, e o R² do ajuste nem sempre denuncia isso. Olhe sempre a curva.

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Uma vez instalado, funciona sem internet — tudo roda no seu aparelho.

Referências

Quantification of Liver Iron Overload with MRI: Review and Guidelines from the ESGAR and SAR. Radiology. 2023. doi:10.1148/radiol.221856

Wood JC, Enriquez C, Ghugre N, et al. MRI R2 and R2* mapping accurately estimates hepatic iron concentration in transfusion-dependent thalassemia and sickle cell disease patients. Blood. 2005;106(4):1460-1465.

Garbowski MW, Carpenter JP, Smith G, et al. Biopsy-based calibration of T2* magnetic resonance for estimation of liver iron concentration and comparison with R2 Ferriscan. J Cardiovasc Magn Reson. 2014;16:40. doi:10.1186/1532-429X-16-40

d'Assignies G, et al. Non-invasive measurement of liver iron concentration using 3-Tesla magnetic resonance imaging: validation against biopsy. Eur Radiol.

Labranche R, Gilbert G, Cerny M, et al. Liver Iron Quantification with MR Imaging: A Primer for Radiologists. RadioGraphics. 2018;38(2):392-412.

Practical guide to quantification of hepatic iron with MRI. Eur Radiol. 2019. doi:10.1007/s00330-019-06380-9